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20 de agosto de 2018

Aprenda a organizar suas finanças e livre-se das dívidas!

Como pagar as dívidas e, finalmente, conseguir poupar para seus sonhos e objetivos de longo prazo? Confira um guia básico para se reorganizar financeiramente!

Quer fechar o mês no positivo? Organização é a palavra-chave. Sem ela, não há como pagar as dívidas, viver uma vida confortável no presente e ainda poupar para o futuro!

Mas, uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que organização e planejamento financeiro não são realidade de grande parte da população brasileira: 45% dos brasileiros entrevistados afirmam não fazer um controle do próprio orçamento. Outro estudo mostrou que 58% dos consumidores não gostam de dedicar seu tempo com esse tipo de atividade.

Esse perfil do consumidor brasileiro pouco cuidadoso com as finanças se reflete em vários comportamentos, como tomar crédito sem se planejar. Segundo uma terceira pesquisa do SPC, a contratação de um financiamento foi realizada por um a cada dez brasileiros nos últimos 12 meses. Entre os que têm parcelas em aberto, 20% possuem prestações em atraso!

“O problema não está em tomar crédito. O crédito é uma ferramenta de consumo de extrema importância para a sociedade e economia – sem ele, pouquíssimas pessoas poderiam comprar uma casa ou apartamento e quase nenhuma empresa poderia realizar investimentos. Se o crédito for tomado de forma planejada, responsável e consciente, ele pode ser de grande ajuda. O problema é o descontrole em relação ao dinheiro”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Isso porque os serviços de crédito possuem juros, muitas vezes altos. O consumidor acaba pagando mais por aquilo que poderia ter sido adquirido à vista com condições mais vantajosas, caso tivesse conseguido planejar a compra ou se tivesse uma reserva financeira para isso.

Viu, só? O planejamento pode mudar o cenário de sua situação financeira rapidamente. E um passo a passo simples pode te ajudar:

1o passo: registro

Você precisa ter controle de todas as receitas (ganhos) e de todas as despesas mensais (gastos). Por isso, para iniciar esse registro, guarde os holerites, recibos, extratos, contas dos últimos meses, tudo que puder ajudar a reunir dados sobre suas finanças.

A partir daí, faça seu diagnóstico: onde estou gastando além do que preciso? Onde posso cortar custos?

“Se você ganha mais do que gasta com contas fixas e ainda assim está endividado, pode ser que seu dinheiro esteja indo para compras não planejadas. Agora, se acontece o contrário (as contas fixas são superiores aos seus rendimentos) é preciso dar um jeito de ganhar mais, fazendo bicos ou trabalhos extras, ou cortar custos – reduzir o plano de internet, mudar os filhos de escola, mudar para um aluguel mais barato ou até vender o carro”, sugere a economista.

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No começo, pode parecer assustador realizar esse diagnóstico, mas não se preocupe. Ele é necessário para resolver seu problema e o medo de enfrentar sua real situação de frente só vai te prejudicar ainda mais.

Faça esse registro da maneira que julgar mais simples: planilha, aplicativo ou caderninho de bolso. O importante é ter algo que possa ser alimentado com facilidade sempre que preciso e que não irá cair no esquecimento.

2o passo: planejamento

Agora, é hora de fazer o planejamento do mês seguinte. Para facilitar, divida as despesas em categorias, como saúde, educação, carro e outras. Isso permitirá ver com mais clareza quais categorias representaram um montante mais alto. A partir daí, você pode buscar maneiras de reduzir esse valor.

Aqui, você também deve listar as parcelas de suas dívidas para encaixá-las em seu orçamento. Mas, como pagar as dívidas? Se necessário, é hora de renegociá-las para que caibam em seu orçamento mensal. “Fazendo esse planejamento das suas finanças com antecedência, você terá mais propriedade na renegociação, já que saberá exatamente o quanto pode gastar por mês com as parcelas ”, explica Marcela.

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Ao longo do mês vá anotando os gastos e acompanhando suas finanças. Quando for fazer uma compra de maior valor, sempre verifique se ela está dentro do orçamento que você havia delimitado para aquele tipo de gasto. Após fazer esse planejamento, você já conseguirá notar o quanto terá para investir a cada mês em sua poupança de emergência. Se ainda não sobrar nada, não se preocupe. Foque suas forças no pagamento das dívidas.

Lembre-se: na maioria das vezes, é melhor quitar as dívidas antes de começar a fazer uma reserva financeira. “Não adianta fazer esforço para guardar dinheiro enquanto está pagando juros. O mesmo vale para quem já possui alguma reserva: provavelmente valerá a pena se desfazer de parte ou de toda ela e quitar a maior parcela possível da dívida”, sugere.

3o passo: checagem

Passado o mês que foi planejado, é hora de voltar às anotações para conferir, juntamente com o registro de receitas e despesas, e checar se tudo foi realmente cumprido.

Muitas vezes, altas despesas acontecem de forma diluída, sem que nos damos conta. O importante é saber identificar esses pontos falhos e manter a organização. “Somente dessa forma você sabe quanto pode gastar com supermercado, lazer, roupas, refeições fora de casa a cada novo mês. E, no final do mês, consegue acompanhar se cumpriu o que estabeleceu no início. Caso não tenha cumprido, saberá onde exatamente errou”, diz Marcela.

Enquanto isso, mês a mês, vá acertando suas dívidas. Quando elas finalmente acabarem, é hora de pensar em seus objetivos!

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4o passo: objetivos

“Dívidas pagas, contas organizadas, foque na reserva financeira: o valor que antes você direcionava para o pagamento das parcelas da dívida, agora vai para a reserva. Ao longo do tempo, se houver aumento na renda ou redução de algum custo familiar, você pode aproveitar e aumentar o valor que vai para a reserva financeira. Também ao longo do tempo, comece a pensar em investimentos que rendam mais do que a poupança”, sugere Marcela.

Está conseguindo abastecer a reserva financeira para imprevistos todos os meses? É hora, então, de fazer uma reserva específica para seus sonhos!

O que você deseja? Comprar um carro, uma casa, fazer um intercâmbio, pagar a faculdade dos filhos? A dica agora é estabelecer uma meta principal e o prazo em que deseja concluí-la. Saiba o valor necessário e divida por esse prazo. Agora, você já sabe o quanto precisa poupar por mês para alcançar esse objetivo.

É muito importante também guardar dinheiro para a aposentadoria, ok? Essa fase da vida chega para todo mundo e todos queremos usufruir dela tranquilamente.

São tantos sonhos e planos… como definir prioridades?

Não existe certo e errado. As prioridades variam de família para família – há quem acredite que vale a pena investir em educação, outras famílias preferem gastar mais com um bom convênio médico, outras em viagens.

O importante é sempre ter uma reserva de emergência e direcionar a cada mês uma quantia para a aposentadoria. Então, os sonhos de consumo podem ser divididos em ordem de prioridade conforme a importância pessoal de cada um.

“Se você organizar suas contas, pode se surpreender ao perceber que todos os seus sonhos são possíveis: a viagem para o exterior pode acontecer com alguns anos evitando ir à praia em todos os feriados, por exemplo”, diz Marcela.

Comece aos poucos, sem querer abraçar o mundo. “É mais fácil definir uma, duas ou três prioridades por vez e segui-las. De tempos em tempos, volte e analise se elas se mantêm ou se mudaram. Em família, é interessante compartilhar as prioridades, além de manter as individuais, claro, um dando uma força para o outro”, finaliza Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em psicologia social pela PUC-SP e professora da B3 Educação, da Bovespa.

Fonte: Meu Bolso Feliz.